Segunda-feira, 9 de Março de 2009

Barbie.

A Barbie faz hoje 50 anos. Graças ao seu aniversário recordei os meus tempos de menina, em que a inocência e a imaginação fazia parte do meu quotidiano.

Relembrei as horas passadas, trancada no quarto, revirando-o de "pernas para o ar". Transformava o meu quarto num mundo de imaginação.

A cama fazia de casa de bonecas, a casa que nunca tive. As almofadas eram as camas, enormes camas de casais. As poucas Barbies que tinha eram tratadas com o maior dos carinhos e os peluches mais bonitos transformavam-se nos Ken que não tivera. Nas minhas histórias eram sempre os peluches os monstros, transformados em belos príncipes pela Helena, Sofia, Raquel ou Beatriz, nome que dava às minhas Barbies. Na minha cabeça recriava a história da "Bela e do Monstro".

Nas gavetas e nas caixas escondiam-se os utensílios de cozinha. Tachos, panelas, pratos, garfos e uma serie de brinquedos saem do seu esconderijo para ganharem vida na peça que criava. Nas gavetas da sala procurava pequenos panos de decoração e da estante retirava os livros de capa dura: os primeiros seriam as cobertas das camas ou da mesa os segundos, as mesas. 

Outras vezes, a cama era a sala de aula, Barbies e peluches os alunos, os velhos livros da primária tornavam-se grandes manuais para as pequenas Barbies e eu... eu era a professora, umas vezes dura outras vezes carinhosa.

Durante horas e horas eu era a principal encenadora, era eu que ditava os finais de cada personagem que criava. Como era bom ser menina...

Não tive muitas Barbies. Na verdade, creio que apenas tive duas. Limitava-me a sonhar.

A Barbie Bela Adormecida foi aquele que mais me marcou, talvez por ser a mais bonita ou porque ainda hoje a tenho. A ela destinara-lhe o meu nome e o final mais bonito. Todas tinham finais felizes, mas aquela era especial...

Todas as minhas bonecas duravam anos, quer fosse Barbies verdadeiras ou Barbies falsas, mais feias que as verdadeiras. Por todas tinha um carinho especial, tratava-as como objectos valiosos.

Quando já não tinha mais histórias para criar, passei o meu pequeno "tesouro" à minha irmã. Mas as histórias que ela criava tornaram-se diferentes, histórias que as minhas Barbies nunca tinham vivido. Elas tornavam-se "autênticas lutadoras", destruindo-se; ou melhor, destruindo-as a minha irmã. Ela era o oposto de mim (apesar de eu ser o seu modelo, o exemplo a seguir).

Aos 11 anos ainda brincava com elas. Aos 11 anos a minha irmã não lhes liga nada. Fui uma adolescente tardia, não me arrependo. Como era bom ser criança, passar horas a brincar, a sonhar a imaginar um futuro colorido.

Obrigada Barbie pelas horas de ilusões, cores, dessarumação, transformações e tantas outras coisas que eu fazia.

 

(a minha Bela Adormecida era bem mais bonita que esta! )

 

Hoje estou: saudades!
Estou a ouvir: Ala dos Namorados : caçador de sóis
Escrito por DesabafosDaMinhaAlma às 19:38
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4 comentários:
De Ami a 9 de Março de 2009 às 23:31
EU confesso que nunca gostei de barbies.. no entanto tb tive as minhas bonecas claro!
E a verdade é que tudo isto nos leva numa maré de memórias doces e com cheirinho a pipocas =-) Era tão bom ser pequenina *
De Estrela a 10 de Março de 2009 às 12:22
é tão bom recordar a nossa infância!
eu não gostava mt das barbies era mais do bebés chorãos :D
De Rui Torre a 10 de Março de 2009 às 23:41
Que giro, eu aproveitava os livros de capa dura para construir magníficas obras de engenharia moderna... Garagens de carros que via na tv mas nunca cheguei a ter, rampas vertiginais que os meus pobres carrinhos subiam a todo o gás para de seguida cairem no vazio a toda a força, pontes perigozíssimas por onde passavam a toda a velocidade quase como que numa prova de todo o terreno devido à dobra da lombada lol.

As molas da minha mãe quase sempre definiam trajectos no chão, estradas sinuosas que tinha de percorrer com todos eles sem bater nos rails (nas molas).

Realmente é bom ser criança, acho que no fundo nunca deixei de o ser pois dentro de mim ainda existe um pouco dessa criança que adorava sorrir e sentir o sol das manhãs de sábado no rosto sentado no chão do quarto, de carrinhos nas mãos e muitas vezes de olhar dividido entre a brincadeira e o "brinca brincando" (programa televisivo que dava aos fins de semana dedicado exclusivamente às crianças com desenhos animados até fartar.

Cresci, tornei-me adulto... mas não muito porque isso seria assassinar parte de mim, a parte mais mágica.

Beijinhos. Gosto da tua visão da vida!
De DesabafosDaMinhaAlma a 12 de Março de 2009 às 16:21
Quando somos crianças tudo serve para a diversão, utilizamos todos os materias, reviramos gavetas e armários à procura de algo que substitua o que não temos. Naquele tempo, usavamos muito mais a criatividade para o divertimento... E era tão bom!

Lá diz o ditado que "todos nós temos uma criança dentro de cada um". E eu sei que a tenho, que ainda não a deixei morrer (aliás, nem quero), até porque os meus irmãos nem me deixam... Um mais criança que o outro!

Beijinho.

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