Domingo, 29 de Março de 2009

"Morro lentamente"

"Morre lentamente quem não viaja, quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar,
morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor
ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoínho de emoções,

justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida a fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante...

Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio pleno de felicidade."

 

(Pablo Neruda)

 

É isto que sinto, a morrer lentamente...

Porque não encontro graça em mim.

Porque não consigo pedir ajuda.

Porque repito hábitos, trajectos.

Porque não arrisco vestir uma nova cor.

Porque evito paixões.

Porque não viro a mesa.

Porque não me permito fugir aos conselhos sensatos.

Porque não foi capaz de seguir os sonhos que o meu coração desejava...

Estou a ouvir: Spice Girls : viva forever
Escrito por DesabafosDaMinhaAlma às 20:03
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Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009

Comboio...

Viajando de comboio…
Olho o vidro,
Vejo imagens reflectidas,
Que aparecerem e desaparecem,
Então surgem pensamentos, sentimentos…
As vezes, surgem aqueles que todos gostamos…
De alegria, de amizade, de esperança!
No entanto,
Estes depressa dão lugar aqueles que não gostamos,
Sentimentos maus, que queremos apagar…
De tristeza, de mágoa, de revolta, de solidão!
São como gritos de revolta.
Sentimentos que dão vontade de morrer,
E esquecer tudo,
Ou de nos escondermos num lugar bem longínquo,
Fugir e nunca, nunca mais voltar!
Ai, pergunto-me:
Porque não podemos ser todos felizes?
Porque é que a vida nos trama? *
Porque todos procuramos a felicidade?
Afinal, qual o sentido da vida?!

 

Escrevi este "espécie" de poema decorria o ano de 2006.

Nos cerca de 20 minutos que durava a viagem, todo o tipo de pensamentos preenchiam a minha mente, uns bons outros maus. Daquela altura atravessava uma fase complicada, com desilusões, tristezas e desgostos, não só em termos amorosos, mas também familiares.

Curiosamente, quando reli o texto, as lágrimas escorreram-me o rosto... Passado este tempo (e resolvidos os problemas familiares), ele é ainda hoje demonstra o meu estado de espírito... 

 

* Esta frase é me familiar... A música de que odeio de João Pedro Pais!

Hoje estou: porque?
Estou a ouvir: Leona Lewis : i will be
Escrito por DesabafosDaMinhaAlma às 00:00
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Quarta-feira, 31 de Dezembro de 2008

"Receita de Ano Novo" para todos!

"Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
 
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
 
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre."

 (Carlos Drummod de Andrade)

Dedico esta receita de Drummod de Andrade a todos aqueles que me acompanham, aos que comentam e aos que não comentam, aos que gostam e aos que não gostam, aos que se identificam e aos que não se identificam, aos que ajudei e que me ajudaram...

Enfim, a todos os que por aqui passam!
Para todos: um 2009 grandioso, replecto de magia, surpresas e emoções!!!

Hoje estou: 2009!!!
Estou a ouvir: Drive c/ Lúcia Moniz : a wish... please keep fighting
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Escrito por DesabafosDaMinhaAlma às 16:51
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Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

Florbela Espanca:

Não sei muito bem o que escrever... Tinha tanto para escrever, mas não encontro as palavras certas para traduzir o que sinto.

Gosto de Florbela Espanca. À pouco tempo comprei o livro "Sonetos" e encontrei dois poemas que traduzem bem o que sinto:

 

"Aqueles que me têm muito amor

Não sabem o que sinto e o que sou...

Não sabem que passou, um dia, a Dor

À minha porta e, nesse dia, esntrou.

 

E é desde então que eu sinto este pavor,

Este frio que anda em mim, e que gelou

O que de bom me deu Nosso Senhor!

Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!

 

Sinto os passos da Dor, essa cadência

Que é já tortura infinida, que é demência!

Que é já vontade doida de gritar!

 

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,

A mesma angústia funda, sem remédio,

Andando atrás de mim, sem me largar!"

("Sem Remédio")

 

 

"Disseram-me hoje, assim, ao ver-me triste:

«Parece Sexta-feira de Paixão

Sempre a cismar, cismar de olhos no chão,

Sempre a pensar na dor que não existe....

 

O que é que tem?! Tão nova e sempre triste!

Faça por estar contente! Pois então?!...»

Quando se sofre, o que se diz é vão...

Meu coração, tudo, calado, ouviste...

 

Os meus males ninguém mos adivinha...

A minha Dor não fala, anda sozinha...

Dissesse ela o que sente! Ai quem me dera!...

 

Os males de Anto toda a gente os sabe!

Os meus... ninguém... A minha Dor não cabe

Nos cem milhões de versos que eu fizera!..."

("Impossível")

 

Hoje estou: deprimida!
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Escrito por DesabafosDaMinhaAlma às 11:31
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